quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Preconceito sobre Inglês na Guiana

Imagine alguém que aprendeu português do Portugal, lá em seu país. Aí veio para o Brasil. O cara nem conhece Portugal, o primeiro país de língua portuguesa em cujo chão ele pisa é o Brasil. Aí ele fica entre seus amigos, falando em sua própria língua. Brasileiros falam rapidamente ao seu redor, e ele, sem nenhuma prática real com a língua, não entende muita coisa. Aí ele vai para algum interior e encontra alguém que lhe dirige a palavra em português, dizendo: “U sinhô viu si tinha alguém vínu aí nu camim du ríi? É qui meu cumpadi ficô di vim puraí pa fazê um sirvíçu mairr nóis aqui, marreu num sei si ele levantô cêdu, tá fazenu tantu fríi...” O cara fica assombrado – e frustrado. Não entende nada, e aquilo não soa muito como a língua que ele aprendeu. Aí ele volta para seu país dizendo que o português do Brasil é horrível, brasileiros falam tudo errado, é outra língua, quem aprende português em Portugal não consegue entender absolutamente nada do que brasileiros falam! Acho difícil de isso acontecer na realidade, mas se acontecesse eu ficaria indignado com esse cara, e creio que muita gente também ficaria. O cara nivelar as habilidades linguísticas de uma nação inteira baseando-se apenas em um sujeito que provavelmente só sabe assinar o nome, e olhe lá. Todos sabemos que qualquer brasileiro com um bom discernimento da língua portuguesa consegue manter um diálogo com um português, embora de vez em quando, dependendo do assunto, tenha que perguntar o que tal coisa significa, ou explicar alguma coisa brasileira ao portuga.

Embora pareça difícil que isso aconteça com os brasileiros, é exatamente isso que tem acontecido com guianenses. E em sua maior parte, são brasileiros que fazem isso com eles. O cara aprende inglês no Brasil, em um cursinho. Nunca viveu inglês na prática, com vários falantes nativos. Não foi treinado para lidar com variações de pronúncia ou variações de sotaque. Aí, vai pra Guiana. Chegando lá, não consegue se comunicar com a fluência que pensa que tem em inglês e fica despeitado. Então ouve guianenses que trabalham em garimpos, ou em serrarias, ou colegas de bar, conversando em crioulo. Aí volta para o Brasil dizendo que o “inglês da Guiana” é aquilo, o crioulo que se fala entre amigos, entre os “chegados”. Isso é uma injustiça com guianenses que têm CXC, que lhes permite entrar em universidades do UK, dos USA e do Canadá, guianenses que têm diplomas ou certificados da Uiversity of Guyana, ou da Queen’s College, ou de universidades de outros países. Por causa de guianenses que pararam de estudar na primary school ou elementary school, ou mesmo aqueles que terminaram secondary school ou high school, e quando estão entre amigos e parentes, falam crioulo, porém, quando necessário, falam inglês muito bem, por causa de pessoas assim e a má interpretação que alguns, principalmente brasileiros, fazem da situação, uma nação inteira é taxada de ignorar sua língua oficial. Guianenses que têm um bom nível escolar geralmente não falam crioulo com desconhecidos ou pessoas com quem não têm intimidade, mesmo que sejam guianenses também. Todos, estou dizendo todos, que eu já vi dizer que não entendem nada de inglês na Guiana porque o inglês deles é todo errado, são pessoas com um nível de inglês intermediário ou mais baixo. Ficariam perdidos em uma conversa em qualquer tipo de inglês. Alguns, quando conversando com americanos e britânicos, ou mesmo com brasileiros fluentes em inglês, em alguns momentos pude ver claramente que fingiam entender o que estava sendo dito, mas na verdade, estavam perdidos na conversa. Não seria mais sensato assumir que não tem prática com a língua? Não há nada de vergonhoso nisso, todos nós que falamos uma língua estrangeira passamos por essa fase, faz parte do processo de falar uma língua estrangeira. São pessoas que têm vergonha de assumir que ainda não têm tal nível de fluência, quando o vergonhoso é fingir ter o que não tem, e ainda pior, difamar os outros para não reconhecer que estava enganado a respeito de si mesmo.

Por causa desse preconceito estúpido, presente principalmente em Roraima, o estado brasileiro que faz fronteira com a Guiana, muitos brasileiros, principalmente roraimenses, estão perdendo a chance de ter um contato com o inglês na prática. Independente do sotaque usado no lugar onde você convive com a língua, uma vez que você convive com o idioma na prática, você passa a ter mais facilidade para adaptar-se a diferentes sotaques e variações de pronúncia. E os roraimenses estão próximos de um lugar onde podem adquirir esta habilidade, mas o preconceito que alguns têm espalhado deixa a maioria dos interessados em aprender inglês receosos, e não aproveitam essa chance que está a seu alcance.

Quando você for a um restaurante de Georgetown, o garçom não virá à sua mesa dizendo: “Whah yuh wan’ fuh eat?” ou “Yuh gon drink whah?”, ou quando chegar ao seu hotel, a recepcionista não vai dizer: “Yuh room deh ready. Yuh wan help fuh tek yuh luggage?” Em lugares assim, as pessoas falarão com você e com qualquer um em inglês, não em crioulo. Além disso, não pense que se você for aos Estados Unidos, Reino Unido ou algum outro país que tenha o inglês como língua oficial, você vai ouvir só “inglês correto”. Isso não existe. Em toda nação há uma língua coloquial ou informal, que se diferencia da língua padrão e varia de região para região dentro do mesmo país.

Quer ir à Guiana treinar inglês e alguém lhe disse que não vale a pena? Ignore essa pessoa e vá por mim. Fique lá pelo menos uns três meses, e tente fazer contato com pessoas com bom nível escolar. Depois me diga se valeu ou não valeu a pena. Depois, quando você tiver uma chance de ir ao UK, USA, Austrália, Canadá ou Nova Zelândia, que são "os mais recomendados para estudar inglês", estará mais à vontade com a língua e assimilará mais rápido as variações desses países.

22 comentários:

Jean Jacques disse...

tli@webworksgy.com
esse endereço do sítio language institute está desatualizado?
PQ faz um tempão que eu envio mensagens paraobter informações de como estudar inglês lá em janeiro/fevereiro e nada!

Wildcat disse...

Eu tento enviar e-mail pra eles, e sempre retorna uma mensagem de "delivery failure". Eu pedi pra Neena Maiya, a Guyana Gyal, pra ligar pra eles e dizer o que estava acontecendo. Ela disse que ligou e eles insistiram que o e-mail tá funcionando. Se eu tivesse pelo menos uns 60 mil, eu ia pôr uma escola de inglês em Georgetown. Aquele pessoal do TLI devia se ligar mais, ter mais e-mails de contato, e tal. Estão perdendo clientes com essa idiotice de usar só um endereço de e-mail e ainda na péssimo servidor. Se for a Lethem, vou ver se consigo ligar e falar com eles eu mesmo. Ligar do Brasil é muito caro.

Gustavo disse...

Nosssa gostaria de parabenizar o dono do blog, e autor das postagens!! mtttt esclarecedor meu amigo!! parabens!!! moro em são paulo e kero morar 1 ano na guyana, pra aperfeiçoar meu ingles e pegar fluencia. Escolhi esse destino por ser proximo do brasil, e principalmente por ser um pais exotico, e diferente, e q faz fronteira com varios paises q falam espanhol, pois kero aprender espanhol tb!! Sempre entro no site, pra ver novas postagens, e novidades sobre o ingles guianense!!
Vc podia falar tb sobre empregos para brasileiros na guyana, e moradia!!
abraços

Jesiel disse...

Parabéns ao dono do blog.
Finalmente uma palavra de incentivo, prestado de forma clara e com exemplos convincentes.

Grasi - L disse...

Olá! Gostaria de parabenizar pelo conteúdo do site...acho muito importante essa divulgação de que existem outras possibilidades que não as habituais para se conhecer a lingua inglesa. Compartilho com o comentário do Gustavo. Gostaria de saber instruções sobre moradia e principalmente emprego, pois seria muito mais fácil ter algum tipo de renda lá, para auxiliar nos gastos. Outra coisa, existem outras escolas indicadas ou essa é a melhor mesmo? Grata, Grasiele.

Marcus Pessoa disse...

curti muito a mensagem, sabado passado meu grupo do ingles fez apresentação sobre intercambio e indicamos a guiana,ainda nao conhecia o blog, agora vou fikar fan! :D

barbqbacchus disse...

WOW.IT'S 4.27A.M HERE IN FORTALEZA.I AM GUYANESE AND CURRENTLY RESIDE IN GEORGETOWN.I DO NOT EVEN KNOW THE AUTHOR OF THE BLOG BUT I MUST COMPLIMENT HIM ON HIS ORIGINALITY AND CLARITY ON THE SUBJECT OF THE IGNORANCE OF ENGLISH SPOKEN IN GUYANA.I FEEL EXTREMELY DELIGHTED THAT SOMEONE CAN EXPRESS SO FLUENTLY WHAT I WANTED TO SAY IN SUCH FLUENT PORTUGUESE.
JUST FOR BUSINESS SAKE I AM THE OWNER OF JERRIES ,THE TERMINAL FOR THE INTRASERV BUS COMPANY.I SPEAK PORTUGUESE AND AM AT ALL TIMES WILLING TO HELP ANYONE COMING THIS WAY TO STUDY ENGLISH OR WHATEVER DEMAND THEY HAVE PASSING THROUGH GEORGETOWN.MY WIFE,PAULA ,A BRAZILIAN RUNS TROPICANA HOTEL WHERE JERRIES IS LOCATED ON WATERLOO STREET.

Paulo da Mata disse...

Eu fui a Guiana e fui entrevistado por dois canais de televisão e uma rádio. Os links estão disponiveis no meu curriculum aqui:

http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&id=K4556061A5

Paulo da Mata disse...

Minha entrevista em inglês na Guiana 01 http://www.youtube.com/watch?v=cXrZEwoOra4&feature=youtu.be

Paulo da Mata disse...

MINHA ENTREVISTA NA GUIANA 2
http://www.youtube.com/watch?v=8U07OGjUCKU&feature=youtu.be

Paulo da Mata disse...

MINHA ENTREVISTA NA GUIANA 3
http://www.youtube.com/watch?v=dW91eBu2TCk&feature=youtu.be

Paulo da Mata disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Paulo da Mata disse...

MINHA ENTREVISTA NA GUIANA 4

http://www.youtube.com/watch?v=zfzX8sWjI3Y&feature=youtu.be

Paulo da Mata disse...

Bem, parabéns para o autor do texto escrito sobre o PRECONCEITO SOBRE INGLÊS NA GUIANA. Concordo 100% com seus comentários. Tenho dois pontos a acrescentar: 01. Não é apenas Roraima que tem preconceito, eu diria a maior parte dos brasileiros. E não tem preconceito do inglês da Guiana, mas sim de alguma forma da Guiana. ( a Guiana ainda é uma criança pobre. Independente da Inglaterra em 1966. Eles ainda estão em fase de construção de uma identidade nacional. Eles ainda se chamam de AFRICANOS, INDIANOS, CHINESES, AMERÍNDIOS, PORTUGUESES, quando na verdade, esses povos chegaram ai há mais de 100 anos. E já poderia ser comum serem chamados de GUIANENSES, entre eles.) Uma vez construída essa indentidade nacional, o orgulho de ser guianense seria outra e começariam a cuidar melhor do país, o que os deixa com uma imagem negativa por apesar do Brasil ter muita pobreza, mas nossas cidades pobres são melhor cuidadas do que as da Guiana. Terceiro, brasileiro ou talvez o ser humano, se encanta co aquilo que acha BONITO. Imagine uma escola de inglês no Brasil que não é atrativa. Ela pode ter os melhores professores de inglês, as pessoas não iriam estudar lá. Eu não esquento com isso( fui a Guiana e a Londres, fiquei 30 dias no primeiro e 40 dias no segundo. Pratiquei mais inglês na Guiana do que em Londres( pessoas frias e não falam facilmente como os brasileiros, o que é diferente na Guiana, onde as pessoas são amigáveis e comunicativas, logo falarão em inglês com você e você praticará mais inglês.) Mas, como eu disse: BRASILEIROS QUEREM MAIS SE APARECER do que APRENDER INGLÊS. E infelizmente, a GUIANA ainda não tem fama. Mas, vamos continuar tornando-a famosa. E tomara que os guianenses nos ajudem tambem.

Paulo da Mata disse...

OBS: Ontem(16/09/2006) eu estive com a Embaixadora da Guiana no Brasil, a senhora Marilyn Chryl Miles e o seu esposo, senhor John Miles. Eles participaram do Literamérica, Feira Internacional do Livro, em Cuiabá-MT. Ela me disse que a Embaixada da Guiana, irá fazer uma página escrita em português para pessoas que estejam interessadas na Guiana. Com relação a língua crioula, ela mencionou que o nome Creolese é mais conhecido no meio intelectual. Na verdade, creolese, não é mais do que uma variedade informal do inglês guianense,assegurou ela. Então, amigos, assim como no português brasileiro, temos a variedade formal e informal, embora aqui, a nossa variedade informal como (nóis vai, cê tá bom?,a gente intende,cês num sabe,etc,etc...) não tenha nome, na Guiana, a variedade informal do inglês guianense (me not know,what you talk bout, them say, etc, etc, etc..)é chamada de creolese. Portanto, no seguinte artigo, onde se lê Creolese, Crioulo ou Língua Crioula guianense, leia INGLÊS GUIANENSE INFORMAL.

Paulo da Mata disse...

"A Guiana oferece inglês como língua estrangeira e já que é posicionada como o único país de língua inglesa no continente sul-americano, os brasileiros são convidados para aproveitarem desta oferta."
(Stabroek News, 2003).

Estas foram as palavras do Presidente da República Cooperativa da Guiana, Bhrarrat Jagdeo, que esteve em Brasília em 30 de julho de 2003 e oferceu o seu país para estudantes brasileiros aprenderem inglês. (Agência Brasil, 2003).
Embora geograficamente a Guiana está posicionada no continente sul-americano, cultural e economicamente ela faz parte da comunidade caribenha. Na comunidade caribenha anglo-fônica, o inglês é apenas a língua oficial e na Guiana não é diferente. O linguista de origem guianense, John R. Rickford (1983) diz que "o inglês padrão é a língua oficial do país e é usada pelo governo, educação e predominante nos meios de comunicação." (Hollbrook, 2001, p. 16).

Paulo da Mata disse...


(Inglês guianense falado na NCN, Rede Nacional de Comunicação(Rádio e TV) da Guiana)
http://capitolnewsgy.com

Paulo da Mata disse...

Segundo Hollbrook(2001) o inglês padrão é também frequentemente falado no comércio e na igreja e nos demais domínios se fala creolese.
Couto(1996) nos informa que creolese é o nome do crioulo de base inglesa falado na Guiana.
Assim, o creolese é um dos crioulos de base inglesa da família linguística caribenha anglo-fônica.

"Há muitos crioulos diferentes no Caribe - jamaicano, bahamense, crioulo das ilhas Leeward, das ilhas Windward, barbadense e outros - que podem ter sotaque e vocabulário diferentes, mas são unidos por uma estrutura gramatical comum. Os crioulos caribenhos são, portanto, como uma única língua dividida em número de dialetos regionais."
Revista Speak Up (1997)

Nas palavras de Couto(1996, p.234) "O crioulo inglês da Guiana (creolese), ex-Guiana Inglesa apresenta muitas semelhanças com os crioulos de Barbados." E no dicionário de Caribbean English Usage do linguista guianense, Richard Allsopp está escrito que o creolese compartilha palavras e frases com os crioulos de Trinidad & Tobago, Barbados, Jamaica e Granada. (Hollbrook, 2001, p, ).
Couto (1996) afirma que em todas as sociedades crioulas, a língua crioula está sempre em contato com a língua oficial.

(Inglês guianense falado em Merundoi, uma vila fictícia localizada a aproximadamente 30 kilometros de Georgetown.)
http://www.merundoi.org.gy/

(Inglês guianense falado na TV CNS canal 6, canal de televisão voltada para o povo guianense de baixa escolaridade.)
http://www.cns6.tv/

Paulo da Mata disse...

Embora reconheça que o creolese é uma língua independente da língua inglesa, Walter Edwards, línguista guianense chama o creolese de versão da língua inglesa. (Caribvoice, 2004).

" Most ah dis website gon be in we native creolese, yeah man (an homan too)! Ah know dem gat nuff, nuff, GT website in English, but ah doan see none in creolese. Suh, fuh de real guyanese dem who love we native tongue --- well, all meh gat fuh seh to yuh is, welcome home bannah, welcome home binnie!"

Linguagem como esta retirada da página eletrônica do Real Guyana (2005) é também usada por cidadãos guianenses conversando na sala de bate-papo virtual cujo endereço eletrônico é:

www.guyanapalace.com/chat

Paulo da Mata disse...

Para a maioria das pessoas ignorantes em línguas crioulas, a primeira impressão é de que se trata da língua inglesa deformada, em outras palavras, do inglês errado, "broken English" em inglês.
Opinião compartilhada inclusive por cidadaos guianenses como pode ser lido na passagem abaixo retirada do jornal Guyana Chronicle em sua versão eletrônica:

"We should then, not refer ourselves as na English-speaking country, but rather as a broken-English speaking country." Guyana Chronicle (2005)

Paulo da Mata disse...

A Sociedade para a Linguística Caribenha (SCL) citando Ian Robertson(2002) afirma que embora a língua crioula seja lexicalmente dependente da língua inglesa, semântica e gramaticalmente, elas são independentes uma da outra.
Portanto, as língua crioulas (como o creolese) não podem ser rotulada de "broken English". (SCL, 2004)
Para Thomason e Kaufman (1986:35, apud Couto, 1988, p.6) a história sociolinguística dos falantes é a parte mais importante quando se trata de entender a língua crioula.
De acordo com a página eletrônica da Guyana News and Information, os holandeses levaram nos anos de 1650 a 1800 em torno de 900.000 escravos africanos para as Guianas e Caribe das regiões onde hoje se localizam Senegal, Níger, Congo, Angola e a antia Costa do ouro.
Por possuírem línguas ininteligíveis, pois pertenciam a tribos diferentes, o holandês, a língua dos senhores, foi adotada para se comunicarem entre si.
No início, a comunicação ocorreu por meio de um pidgin holandês rudimentar, ao qual os africanos adicionaram algumas palavras e expressões de suas línguas. Ä medida que novas gerações íam nascendo, o pidgin que já se denominava crioulo era a primeira língua da comunidade.
Quando os britânicos invadiram a Guiana, passando a ser os novos senhores, o crioulo guianense mudou por completo de filiação do holandês para a língua inglesa.
Os britânicos libertaram os negros da escravidão e trouxeram povos de Portugal, China e principalmente da Índia para trabalharem na Guiana. Acredita-se que palavras das línguas portuguesa, chinesa e indiana foram incorporadas ao creolese, o crioulo guianense.
A formação do creolese não difere do ciclo vital formulado por Hall(1962:p.151-156, apud Couto, 1998, p, 6), holandês e inglês como línguas dominantes, línguas de superstrato, também chamadas de lexificadoras, em contato com as línguas africanas, as línguas de substrato. Nichols (2001) menciona que todos usam o léxico da língua da população dominante e a sintaxe das línguas dominadas.
Portanto, o creolese é constituido de vocabulário da língua inglesa e gramática das línguas africanas como os demais crioulos da comunidade caribenha anglo-fônica conforme assegura outra linguista guianense, Hubert Devonish. (McCrum, Cran, MacNeil, 1986,1992, p.346).
Apesar do creolese e o inglês padrão serem as línguas mais faladas na Guiana, não há dados que comprovem que os cidadãos guianenses sejam falantes fluentes das duas línguas como declara Hollbrook (2001, p. 19), mas Richard Allsopp comenta que "Não há criança na Guiana Britânica...que não entenda o inglês padrão." (Allsopp, 1953:235 apud Hollbrook, 2001, p, 19).
Walter Edwards (2002) fala em situação rurual quando fala em creolese e Hollbook(2001 diz que a maioria dos guianenses que dominam o inglês padrão mora nas zonas urbanas da Guiana.
A Guiana é uma país de população predominantemente rural; apenas 30% dos guianenses moram na zona urbana. Isto leva a acreditar que 70% dos guianenses falam o creolese, já que esta língua está mais associada com a zona rural. (Hollbrook, 2001, p.19)
Hollbrook(2001) comenta que mesmo os falantes monlingues do creolese não vêem qualquer valor no uso do creolese, pensamento em existência com relação a outros crioulos caribenhos como o jamaicano:

" O apelo da língua padrão cai em sua associação com dinheiro e sucesso. O mundo externo, o mundo do dólar e do comércio internacional fala inglês padrão e o Caribe, dependente da boa vontade dos Estados Unidos e em menor proporção da Inglaterra precisa entrar neste mundo. Advogados, médicos, homens de negócios, estudantes e economistas têm pouco incentivo para promoverem as formas mais fortes do inglês jamaicano ou outro caribenho."
(McCrum, Cran, MacNeil, 1986,1992, p.).

Paulo da Mata disse...

Embora contra a vontade de uma grante parte da população, inclusive do próprio Ministério da Educação da Guiana, que está com um projeto de descrioulizar o creolese dentro de 20 a 30 anos (Hollbrook, 2001, p,) e tornar a Guiana em um centro de aprendizagem de língua inglesa para povos da América do Sul,(Guyana SNDP, 2005) há movimentos que lutam para a estabilização da língua crioula como a língua oficial da comunidade caribenha anglo-fônica. Nas palavras de Devonish, "a língua inglesa é a língua de uma elite separada da massa da população caribenha." (McCrum, Cran, MacNeil, 1986,1992, p.).
Um leitor do jornal Guyana Chronicle expressa a sua opinião em creolese:

"Me a waan proud Guyanese na me proud a me language na me cultcha, me only wish dat me coulda speak mo betta rural Creolese but me teacha in school bin tell me fuh taak praparly. So now me gat fuh taak wan ‘standard’ speech, but guess wha? Dat ‘standard’is de urban Creole. Only ting is dat it sound like English."